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15 de novembro, aniversário do Rei Patriota

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Hoje, 15 de novembro, aniversário do Rei Patriota
Dom Manuel II foi o último monarca português e o terceiro da Casa de Bragança, após o Rei Dom Miguel de Portugal e o Imperador Dom Pedro II do Brasil, a morrer expatriado. Filho segundo do Rei Dom Carlos, nasceu há exatos 132 anos, a 15 de novembro de 1889 e herdou a coroa que a ordem natural tinha reservado ao seu irmão, Dom Luís, em consequência do Regicídio de 1908. Tinha, à data da sucessão, meros 18 anos.
Patriota de forte consciência social, Dom Manuel promoveu a aproximação ao Partido Socialista, conquistando-o para o campo monárquico, e o lançamento de reformas económicas favoráveis ao mundo do trabalho. O Rei usou a influência da Coroa para que se estudasse a criação de um Instituto do Trabalho Nacional, ao mesmo tempo que convidou a Portugal, pagando a visita do próprio bolso, o sociólogo francês Léon Poinsard. O projecto de reforma social de Dom Manuel foi o primeiro a encaminhar Portugal na direcção de um Estado Social, solução já tentada e aplicada com sucesso na Alemanha de Bismarck.
Forçado a exílio ingrato pela insurreição republicana do 5 de Outubro de 1910, o Rei dirigiu-se primeiro a Gibraltar e, depois, à Inglaterra. Passou a viver em Londres. Em 1913, casou-se com Augusta Vitória de Hohenzollern-Sigmaringen, princesa alemã. Apesar da nacionalidade da esposa e da injustiça de que fora vítima em Portugal, o Rei não abandonou nunca o amor imenso que tinha pela sua pátria. Em 1915, legou em testamento todos os seus bens ao Estado português, agora controlado pelos mesmos homens que lhe tinham assassinado o pai e o irmão, expulsado a mãe e a avó e o roubado o trono. Durante a Primeira Grande Guerra, ainda, ofereceu-se à República para prestar serviço militar, o que o regime de Lisboa recusou terminantemente. Impedido de dar sangue por Portugal, Dom Manuel passou a desenvolver intensa acção benemérita em favor dos militares portugueses que combatiam na Frente. Abriu, novamente com fundos pessoais, salas de operações para soldados feridos em Paris e em Londres, serviu como oficial da Cruz Vermelha e dedicou os anos da guerra à angariação de dinheiros para a tropa portuguesa e em visitas à frente.
Terminada a guerra, Dom Manuel II passou a dedicar-se à busca, compra e catalogação de literatura portuguesa. Verdadeiro bibliófilo, o Rei juntou impressivo e valioso arquivo de obras portuguesas do século XVI, devendo-lhe nós o regresso desse rico património a Portugal. Em 1932, o último Rei de Portugal faleceu de doença ainda no exílio inglês. Em Agosto, como pedido pelo monarca, o seu corpo chegou a Lisboa, sendo-lhe concedido por Oliveira Salazar um funeral com honras de Estado.
Independentemente das paixões da política, dos regimes ou das legitimidades dinásticas, um grande português que a NP recorda com afecto, saudade e admiração.
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